"Tinha um pouco de cerveja na geladeira e ficamos lá sentados, conversando. E só então percebi que estava diante de uma criatura cheia de delicadeza e carinho. Que se traía sem se dar conta. Ao mesmo tempo se encolhia numa mistura de insensatez e incoerência. Uma verdadeira preciosidade. Uma joia, linda e espiritual. Talvez algum homem, uma coisa qualquer, um dia a destruísse para sempre. Fiquei torcendo para que não fosse eu."

Charles Bukowski.   (via enoitecer)

Picture an Arab Man is a portrait series photographed by  Tamara Abdul. She says: 

The conceptual aim of this portrait series is two-fold: Trying to uncover and break the stereotypes placed upon the arab male, and providing an alternative visual representation of that identity. Secondly, it is a celebration of their sensual beauty, an unexplored aspect of the identity of the contemporary Arab man, on the cusp of change in a society that reveres an out-dated form of hyper-masculinity.

 

 

"Quando vi que ser feliz era não querer te ter pra sempre
Eu senti ter naquele instante que já era eterno o suficiente"

A Onda - Validuaté

"Ele era um andarilho.
Ele tinha um olhar cheio de sol
de águas
de árvores
de aves.
Ao passar pela Aldeia
Ele sempre me pareceu a liberdade em trapos.
O silêncio honrava a sua vida."

Manoel de Barros, ‘O Olhar’ (via trechosdaliteratura)

"Já tive que ir à missa obrigado, já tentei ser um homem casado.
Já aprendi a fingir meu sorriso, já fui sincero e já tive juízo.
Já troquei de lugar minha cama, já fiz comédia, eu já fiz drama.
Já ouvi cada voz que me chama, eu já fui bom e já tive má fama.
Já fui ético, antipático, fui poético, fui fanático, fui apático, fui metódico, sem vergonha, fui caótico.
Eu já li Paulo Coelho, eu já escutei tudo que era conselho.
Eu já preguei o evangelho, cheguei a achar que eu era velho.
Já fiz tanta coisa que nem me lembro do que eu era contra ou fui à favor
O que me dava prazer hoje só me dá dor, nunca aprendi o que é o amor.
E ouvi uma voz que diz: “não há razão, você sempre mudando já não muda mais.”
E já que estou cada vez mais igual não sei o que fazer comigo.
Já chorei de tanta mágoa, já fiz tempestade em copo d’água.
Já tentei a sorte na gringa, já aprendi que não tenho ginga.
Eu já votei em tucano, já fui ovo lacto, vegetariano.
Insano
Já fui santo e profano, fiz na tua frente e por baixo dos panos.
Já estudei teologia e não creio mais naquilo em que cria.
Já sofri de claustrofobia, de teimosia e cleptomania.
Já provei, já fumei, já tomei, já deixei, assinei, viajei, já peguei, já sofri, já iludi, já fugi, já sumi, fui e voltei, afirmei e menti.
E com toda essa falsidade, minhas mentiras já são verdades.
Já tive de tudo o que queria e já me contentei com mixaria.
(…)
Já fui em cana, já tive grana, passei rasteira em muito bacana.
Opinei e me equivoquei, nunca assumi pra ninguém que errei.
Sem diploma, nem salário, já fui sócio majoritário.
Já escrevi tanto nome no braço, eu já preenchi tudo que era espaço.
Fui psicólogo, fui astrólogo, já fui leigo, fui enólogo, fui alcoolatra, fui atleta, fui obeso e já fiz dieta.
Já cuspi e mandei pro caralho o lugar onde hoje eu trabalho.
E agora eu só me distraio fazendo versão de rock uruguaio.
(…)
Não sei o que fazer comigo."

Vespas Mandarinas - “Não sei o que fazer comigo”  (via indubio)

"

O homem, bicho da terra tão pequeno
Chateia-se na terra
Lugar de muita miséria e pouca diversão,
Faz um foguete, uma cápsula, um módulo
Toca para a lua
Desce cauteloso na lua
Pisa na lua
Planta bandeirola na lua
Experimenta a lua
Coloniza a lua
Civiliza a lua
Humaniza a lua.

Lua humanizada: tão igual à terra.
O homem chateia-se na lua.
Vamos para marte — ordena a suas máquinas.
Elas obedecem, o homem desce em marte
Pisa em marte
Experimenta
Coloniza
Civiliza
Humaniza marte com engenho e arte.

Marte humanizado, que lugar quadrado.
Vamos a outra parte?
Claro — diz o engenho
Sofisticado e dócil.
Vamos a vênus.
O homem põe o pé em vênus,
Vê o visto — é isto?
Idem
Idem
Idem.

O homem funde a cuca se não for a júpiter
Proclamar justiça junto com injustiça
Repetir a fossa
Repetir o inquieto
Repetitório.

Outros planetas restam para outras colônias.
O espaço todo vira terra-a-terra.
O homem chega ao sol ou dá uma volta
Só para tever?
Não-vê que ele inventa
Roupa insiderável de viver no sol.
Põe o pé e:
Mas que chato é o sol, falso touro
Espanhol domado.

Restam outros sistemas fora
Do solar a col-
Onizar.
Ao acabarem todos
Só resta ao homem
(estará equipado?)
A dificílima dangerosíssima viagem
De si a si mesmo:
Pôr o pé no chão
Do seu coração
Experimentar
Colonizar
Civilizar
Humanizar
O homem
Descobrindo em suas próprias inexploradas entranhas
A perene, insuspeitada alegria
De con-viver.

"

O Homem; As Viagens - Carlos Drummond de Andrade